E se alguém lhe dissesse que pagou R$14,00 para assistir a uma propaganda em um cinema de sua cidade, pensaria que essa pessoa é louca, e que você jamais faria semelhante coisa? Bem, a maior indústria cinematográfica do mundo está nos Estados Unidos. Através dela, os norte-americanos vendem a sua imagem para todo o planeta, transmitindo uma visão controlada de sua própria realidade.
Os Estados Unidos da América formam hoje o país mais influente do mundo, por isso dizemos que constituem a nação hegemônica, ou seja, eles exercem hoje uma supremacia absoluta sobre as demais nações do globo. A língua inglesa é hoje uma espécie de segunda língua oficial em todo mundo.
Mas como foi que os USA se tornaram a maior nação do planeta? Quais foram os passos da construção desse grande e novo império? Veremos agora como se deu o processo de independência dos Estados Unidos da América.
Século XVIII: um século de mudanças
O século XVIII foi um século marcado por enormes transformações econômicas, políticas e sociais. Foi o século do Iluminismo, ocorrido na França, de onde irradiaram os mais novos ideais liberais burgueses para todo o mundo, influenciando desde a Inconfidência Mineira, no Brasil, até a Independência dos Estados Unidos.
O desenvolvimento econômico inglês, posto em marcha desde a Revolução Industrial, fez com que a Inglaterra entrasse em choque com as demais nações européias, o que culminou, em 1756, na Guerra dos Sete Anos, contra a França.
Guerra dos Sete Anos (1756-1763)
A Inglaterra e a França eram duas rivais tradicionais na Europa. Nas colônias inglesas da América do Norte havia aproximadamente um milhão de colonos; já na região do atual Canadá, havia cerca de 70 mil colonos franceses. Ambos desejavam o domínio do comércio de peles e da pesca, além da pretensão dos ingleses em disputarem regiões além dos Montes Apalaches e do Rio Mississipi, que já eram ocupadas pelos franceses. Desses conflitos, originou-se a Guerra dos Sete Anos.
A Inglaterra, com a ajuda de parte da população das Treze Colônias, derrotou a França que, em 1763, cedeu o território do atual Canadá aos ingleses. Mesmo vitoriosa, a Inglaterra saiu da guerra muito endividada. Derrotados e humilhados, os franceses estreitaram laços com os colonos ingleses e passaram a apoiar a causa da independência, auxiliando os colonos nos conflitos contra a Inglaterra.
Se, por um lado, a Inglaterra saiu endividada, por seu lado, os colonos haviam adquirido armas e munição da Inglaterra durante a Guerra dos Sete Anos. No final da guerra, os colonos haviam se livrado da ameaça francesa e adquirido experiência bélica. Na guerra da Inglaterra contra a França, o único vitorioso genuíno, no final das contas, foram os colonos das Treze Colônias.
A metrópole passa a exigir mais da colônia
A colonização inglesa na América do Norte não ocorria de maneira igual nas treze colônias estabelecidas. Costuma-se dizer que nas colônias do sul, a forma de colonização era a de exploração, ou seja, visava conseguir produtos que pudessem ser vendidos com alta margem de lucro na Europa; nessa região predominaram as plantations, que eram grandes propriedades rurais que utilizavam mão-de-obra escrava. Nas colônias do centro e do norte, os colonos se instalavam para tentar constituir uma vida nova, longe, principalmente, das perseguições religiosas que ocorriam na Inglaterra; dizemos então que o que ocorria era uma colonização de povoamento.
De uma forma geral, a presença da Inglaterra e de sua dominação nas colônias americanas se deu de forma bem menos rígida que nas colônias espanholas e portuguesa. Ao longo do século XVII, as colônias inglesas gozavam de certa autonomia. A Inglaterra pouco interferia nas colônias. Após a Revolução Gloriosa e a Revolução Industrial, a burguesia inglesa, em ascensão, começou a cobiçar o domínio econômico e político sobre as colônias. As colônias inglesas começaram a ser convocadas a cumprirem a sua função primeira, que é enriquecer a metrópole.
Após a Guerra dos Sete Anos, a Inglaterra endividada, passou a exigir mais das colônias. Era uma forma de conseguir recursos para cobrirem os gastos que teve. Impuseram-se então novos impostos e taxas. As colônias centrais e do norte, as mais atingidas pelas medidas, apresentaram forte oposição. Vamos a uma sequência dos fatos:
Lei do Açúcar (1764) – um ano após o fim da Guerra dos Sete Anos, a Coroa inglesa passou a cobrar impostos sobre os produtos que tinham de ser importados, como o melaço (açúcar) seda e linho, por exemplo.
Lei do Selo (1765) – cobrava taxas sobre os diversos documentos, para exibirem o selo real, assim como publicações de periódicos (jornais) e manifestos.
Lei do Chá (1773) – não era um imposto, mas uma concessão de monopólio do comércio de chá nas colônias à Companhia das Índias Orientais, sediada em Londres; até então, o chá era comercializado livremente na colônia pelos próprios colonos.
Seguindo-se à Lei do Chá, em 16 de dezembro de 1773, num episódio conhecido como Festa do Chá de Boston, colonos vestidos de nativos americanos jogaram ao mar a carga de três navios pertencentes à Companhia das Índias Orientais.
Leis Intoleráveis (1774) – a reação inglesa não tardou, para conter o clima de revolta que se estabelecia nas colônias, adotou medidas consideradas pelos colonos como "intoleráveis"; entre as medidas, estão:
fechamento do porto de Boston, até que o valor da mercadoria lançada ao mar pelos colonos fosse pago;
ocupação da colônia de Massachusetts por tropas inglesas;
terras a oeste da colônia ficaram sob controle militar, o que impedia a expansão para o oeste.
A caminho da independência
As sanções adotadas pela Inglaterra foram discutidas pelos colonos em 1774, no Primeiro Congresso Continental da Filadélfia, que contou com representantes de quase todas as colônias, apenas a Geórgia não foi representada. No documento redigido, era exigido o fim das Leis Intoleráveis, mas não era feita nenhuma menção à independência.
O conflito entre colônia e metrópole, no entanto, não diminuiu. Diante de mais repressão e novas proibições, em 1775, aconteceu o Segundo Congresso Continental da Filadélfia, agora, com a participação de todas as treze colônias. Foi redigida, em 4 de julho de 1776, e aprovada a Declaração de Independência
dos Estados Unidos da América, baseada nos princípios iluministas de liberdade, igualdade e fraternidade.
George Washington foi o comandante das tropas de independência. Com o apoio da Espanha e da França, os americanos obtiveram diversas vitórias contra as tropas inglesas. As lutas duraram até 1783, quando a Inglaterra reconheceu a independência dos Estados Unidos da América, assinando o Tratado de Versalhes.
A guerra pela independência
A guerra pela independência começou em 19 de abril de 1775, na Batalha de Lexington, quando tropas inglesas tentaram destruir um depósito de armas dos colonos americanos, mas encontraram forte resistência. Ainda nesse ano, foi realizado o Segundo Congresso Continental da Filadélfia, em que chamou os colonos às armas e nomeou-se George Washington comandante das tropas americanas. No dia 4 de julho de 1776 é apresentada a Declaração de Independência dos Estados Unidos, cujo principal redator foi Thomas Jefferson.
Os conflitos se estenderam de 1775 até 1781, e neles morreram aproximadamente cerca de 70 mil combatentes. Na primeira fase da guerra, entre os anos de 1775 e 1778, as tropas americanas lutaram sozinhas contra o exército inglês. Na segunda fase, entre os anos de 1778 e 1781, diante das vitórias, as tropas americanas conseguiram apoio militar e financeiro da França e da Espanha. Para firmar-se esse apoio, certamente também pesou o fato das animosidades causadas pela Revolução Industrial Inglesa, em marcha.
Em 19 de abril de 1781, o exército inglês sofreu sua última derrota em Yorktown. As treze colônias americanas tiveram que esperar até 1783, quando o governo inglês reconheceu oficialmente a independência de suas colônias na América do Norte.
Notas das ilustrações, a partir do topo:
1- A LIBERDADE GUIANDO O POVO: Delacroix;
2- CIDADÃOS DE BOSTON PROTESTAM CONTRA A
PROMULGAÇÃO DE NOVOS IMPOSTOS (1765):
referência à Lei do Selo;
3- PRIMEIRO CONGRESSO CONTINENTAL DA
FILADÉLFIA, em 1774; óleo sobre tela de
Clyde Osmer Deland, 1911)