quarta-feira, 11 de agosto de 2010


E O Vento Levou
Por Rubens Ewald Filho


Para assistir ao filme no Youtube,
basta clicar aqui. Isso deve
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continuar a partir daí.

 
Durante décadas "E o Vento Levou" foi considerado o filme de maior bilheteria de todos os tempos; na verdade, se hoje forem feitos os cálculos de inflação, aumento de população e preço dos ingressos, ainda deve manter o posto.

Certamente o filme é o que de mais impressionante e notável Hollywood já produziu. O mais curioso é que "E o Vento Levou" não é obra de um único diretor ou um grande estúdio. Foi criado, produzido e finalizado por um produtor independente, David O Selznick (1902-65), e o estúdio Metro só ficou com os direitos de distribuição porque o público exigiu que Clark Gable, astro do estúdio, fizesse o papel central.

"E o Vento Levou" surgiu primeiro como livro best-seller, de Margaret Mitchell, uma senhora de Atlanta, Geórgia. Selnizck comprou os direitos autorias e realizou uma longa campanha publicitária na qual procurava os atores ideais para os personagens.

 
(...)

 
Se o filme tem alguma falha, é tentar nos convencer de que Scarlett seria capaz de ficar apaixonada por Ashley tanto tempo (especialmente porque o personagem é feito pelo feioso, inexpressivo e pálido Leslie Howard). Ninguém se conforma com a cegueira de Scarlett quando o marido Rhett -de tão evidente virilidade- está apaixonado por ela, e a heroína insiste em perseguir o outro, casado com sua melhor amiga (Olivia De Havilland, irretocável como a benevolente Melanie).

 
Há problemas também com o alívio cômico que parece excessivamente marcado em algumas cenas. Mas nada disso atrapalha o encanto do filme que resistiu a tudo, até versões ampliadas para 70 mm, cortando partes da imagem, provavelmente por causa da força do personagem de Scarlett, mimada, extravagante, cínica e indomável.

 
Algumas cenas são inesquecíveis: ela subindo as escadas enquanto se espalha a notícia do começo da guerra, a chegada da lista dos mortos, a despedida de Scarlett e Rhett nas proximidades de Tara, os antológicos travellings que encerram a primeira e a segunda partes, a imagem que se abre para mostrar os feridos na estrada de ferro. Também é marcante a trilha magistral de Max Steiner.

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